terça-feira, maio 17, 2005

 

Horizontes da educação

Todos os dias somos confrontados com notícias que dão conta da enormissíma falta de funcionários e técnicos altamente qualificados no nosso mercado de trabalho. No entanto, o contraditório também costuma ser notícia, isto é, cerca de 50 mil licenciados estão no desemprego.
Estes factos pragmáticos são inafastáveis da nossa realidade social e da doença que padece a nossa sociedade.
Todo o nosso sistema de ensino do básico ao superior, está mau estruturado e na sua essência está absolutamente ultrapassado quer no conteúdo quer na forma.
Actualmente não estamos a formar jovens para a prática quer do exercício profissional, quer em termos humanos. As escolas são hoje, nalguns casos, meros depósitos de crianças e jovens.
Perdeu-se o sentido humanista e de formação da personalidade e de valores como papel principal da escola. A indisciplina dos nossos alunos é hoje um acto aceite pela sociedade, enquanto a repreensão dos professores é um acto criticável e muitas vezes extremamente nefasto para o professor. Há uma completa confusão dos valores que já não fazem da escola o centro de formação e valorização das capacidades humanas.
Os conteúdos programáticos são hoje ineficazes e proporcionais ao facilitismo. Falta rigor e exigência aos nossos alunos, dá-se muita Educação Física, Plástica, Musical e muito pouco Português, Matemática.
Na prática verifica-se que os doze anos de ensino liceal nada acrescentam de sólido aos conhecimentos que á priori são básicos para qualquer indivíduo.
As universidades servem hoje para dar diplomas e perderam funções de investigação, inovação e desenvolvimento de competências.
Acabou-se a imagem de um ensino superior baseado na investigação, discussão e observação dos problemas estimulando o desenvolvimento das capacidades racionais de cada um. Começaram a proliferar cursos em universidades sem o mínimo de qualidade provocando uma total banalização dos mesmos. Criaram-se montanhas de faculdades e institutos politécnicos sem assegurar requisitos mínimos como a qualidade do corpo docente a ligação ao meio e a criação de infrastruturas de apoio.
Falta em Portugal aquilo que há em muitos países desenvolvidos: campus universitários. Mesmo que não seja em cidades centrais um campus deve ter as infrastruturas necessárias a poder assegurar uma total integração do aluno na universidade, deve ter para além da estrutura de ensino, bibliotecas, centros de informática e novas tecnologias, espaços de debate e informação, residências e também espaços de lazer e cultura.

Temos que repensar a nossa política de educação em função da nova exigência dos tempos e enquadrá-la numa sociedade onde a competição, o mérito a qualidade e o trabalho devem ser palavras de ordem.

Hugo Martinho

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