terça-feira, janeiro 13, 2009

 

Capitalismo de Estado

Nos últimos dias vieram a lume três notícias que anunciam algo de grave e que se tornará comum nos próximos anos. Foi a promoção de Armando Vara na Caixa Geral de Depósitos, já depois de ter sido (politicamente) nomeado para a administração do BCP; a dívida total de 20 empresas do sector público empresarial que atingiu, em 31 de Dezembro de 2007, o correspondente a 17% do orçamento de Estado desse ano; a dispensa das autarquias de levarem a concurso público obras com custos até 5 milhões de euros. Um escândalo, porque é de um escândalo que se trata, que não ficará por aqui.

Perante a crise económica que atravessamos, o governo decidiu agir com o aval da maioria da população. É bom que se diga que a actual situação é um verdadeiro maná para qualquer governo. Para quem esteja no poder. A liberdade de gastar impunemente, apresentar obra e acção, não se preocupando com o pagamento da conta, é o sonho de qualquer político que, apenas uma forte disciplina moral e intelectual poderia evitar.

Quanto mais o Estado intervir na economia, emprestar dinheiro à empresas escolhidas pelos governantes, mais o Estado, o governo, os ministros, os secretários de estado, respectivos assessores e demais funcionários ligados ao poder, terão uma palavra a dizer sobre a forma como os negócios deverão ser conduzidos. Sobre quem deve ser nomeado, quem deve ser afastado. Sobre quem deve ser saneado.

O resultado do capitalismo de Estado em que já estamos embrenhados dará nisto: Um conluio entre governos e empresários. Corrupção, dinheiros perdidos sabe-se lá onde e por quem, negociatas, muito jogo escondido. Desfazer isto tudo dará muito trabalho no futuro.

Entretanto, perdem os cidadãos. Os que trabalham, arranjam empregos, pagam casas, as escolas dos filhos, juntam o pouco que sobra para a sua reforma. Perdem eles, porque nada lhes sobrará.

in http://oinsurgente.org/

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